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Tribo indígena produz solo que pode frear efeito estufa


Através de um estudo realizado no Estado do Amazonas pelo Grupo de Pesquisa Caracterização do Solo para Fins de Manejo Específico, coordenado por José Marques JR,  foi descoberta a terra preta de índio. Conhecida também como carbono biológico (ou biochar), o produto é obtido a partir da queima de resíduos vegetais e animais, pelo método da pirólise (combustão em elevada temperatura sem oxigênio).

De acordo com Marques, esse material reúne significativos teores de nutrientes de plantas, em especial cálcio, fósforo e carbono orgânico. Por não conter oxigênio, essa cadeia química torna-se difícil de ser decomposta por microrganismos e por isso o carbono apresenta elevada estabilidade no solo. A permanência do carbono orgânico na terra resulta na diminuição de pelo menos 25% do impacto na atividade agrícola no lançamento do gás carbônico (CO2) para a atmosfera.

O biochar tem também um mecanismo que mantém a fertilidade do solo. “Em linguagem comum, o carbono estável libera nutrientes em proporções adequadas no decorrer das atividades agrícolas”, esclarece o pesquisador. E mais: análises baseadas no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS) da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) indicaram tratar-se de terra resistente à compactação, ou seja, com boa estrutura para manter culturas variadas.

O material encontrado em seis áreas particulares nos arredores do município de Humaitá e duas no km 180 da Transamazônica, em Santo Antonio do Matopi, representa “uma dádiva do índio amazonense à agricultura, por seu potencial para combater a infertilidade do solo da região”, de acordo com Marques. Para ele, o achado pode levar à compreensão da gênese e evolução desse produto, por meio do estudo de seus atributos físicos, químicos e mineralógicos.

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Unesp


01 de dezembro de 2011