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Gota D´água quer retomar diálogo sobre Belo Monte


O Movimento Gota D’Água, formado por diversos artistas brasileiros, enviou semana passada uma carta ao governo federal para retomar o diálogo sobre o planejamento da política energética do país. Confira a íntegra da carta:

Em dezembro do ano passado, os idealizadores do movimento, o ator Sérgio Marone e a jornalista Maria Paula Fernandes, acompanhados da coordenadora do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, Antonia Melo, foram recebidos por Gilberto Carvalho: ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República; Izabella Teixeira do Meio Ambiente, Edison Lobão de Minas e Energia, para debater o polêmico projeto de construção da usina de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.

Na ocasião, mais de 1,35 milhão de assinaturas contra a obra, coletadas a partir do vídeo “Gota D’Água+10”, foram entregues ao governo junto com uma carta endereçada à presidenta Dilma Rousseff. No documento, o movimento propõe uma moratória imediata no licenciamento de grandes hidrelétricas na Amazônia e a abertura de um espaço democrático de diálogo sobre a política energética do país, com a participação de diversos setores da sociedade, como governo, academia, organizações da sociedade civil e movimentos sociais.

Apesar de garantirem uma predisposição para ampliar o diálogo sobre a política energética brasileira, os representantes do governo foram taxativos ao afirmar que Belo Monte não será paralisada, principalmente em função dos grandes investimentos já feitos no projeto. No entanto, os representantes do governo admitiram falhas no processo de construção da usina, ao afirmarem que outros projetos de hidrelétricas na Amazônia seriam conduzidos de forma diferente.

“Ao negar a paralisação de Belo Monte, o governo reafirmou a convicção de que a crescente demanda por energia no país deve ser primariamente satisfeita por meio da construção de grandes hidrelétricas na Amazônia. Para nós, as fragilidades da atual política energética são evidentes, não apenas no que concerne às escolhas técnicas, mas também a forma como esta política vem sendo conduzida”, diz a carta.

Por outro lado, o governo afirmou não ter nenhuma dificuldade em abrir o diálogo para discutir o licenciamento ambiental de qualquer empreendimento, seja ele hidrelétrico ou não. Durante a audiência em dezembro, o ministro Gilberto Carvalho reconheceu a iniciativa do Gota D’Água pelo número expressivo de assinaturas coletadas em tão pouco tempo e convidou o movimento a participar de futuras discussões sobre o tema, citando a realização de um seminário sobre política energética em fevereiro. O governo também se comprometeu a indicar imediatamente representantes da sociedade civil e da academia para o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), cujos assentos estão vazios desde o governo Lula.

Fonte:
Blog do Verde


06 de fevereiro de 2012