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ENTREVISTA GREEN: Ana Marcela Cunha



Foto: Satiro Sodré Press

Maratonista aquática classificada para os Jogos Olímpicos Rio 2016 fala de sustentabilidade e esporte

Ana Marcela Cunha está em sua melhor fase. Voltou do Mundial 2015, realizado na Rússia/Kazan, com ouro nos 26 km, prata no revezamento de 5km e bronze na maratona aquática de 10km.

Esta última medalha, apesar de bronze, foi a mais importante para a nadadora baiana de 23 anos. O título nesta prova, que é olímpica, garantiu vaga para os Jogos Rio 2016.

Ela já representou o Brasil em Pequim 2008 com apenas 16 anos. E, por três segundos, não foi para Londres 2012. Agora é treinar por bons e - quem sabe - inéditos resultados na Praia de Copacabana.

Das modalidades olímpicas, a maratona aquática é uma das que mais depende da “saúde” do meio ambiente. Nela, o atleta literalmente mergulha nas águas de rios, lagoas ou mar e fica lá dentro por bastante tempo.

A importância de cuidar do meio natural é algo muito valorizado pelos atletas da modalidade, como destaca Ana nesta entrevista.

O esporte pode ajudar na saúde do mundo? Como?
AM: A prática de qualquer esporte, seja competitivo ou não, desde que em condições apropriadas, sem dúvida contribui para a saúde física e mental não só do indivíduo, mas também da sociedade.

Quais são exemplos interessantes de sustentabilidade nas competições que já participou?
AM: Não vi nada de muito relevante nesse sentido. Em alguns casos, os organizadores promovem a limpeza do local até o leito da praia. Numa competição em Brasília, patrocinada por ONG voltada para a sustentabilidade, confeccionaram objetos como a raia e troféus de material reciclado e funcionou muito bem!

Sustentabilidade na RIO 2016 em uma frase
AM: Realizar a despoluição da baía de Guanabara para os Jogos Olímpicos e saber preservar esse estado. Será um legado importante para todos!

Em termos gerais, o atleta da sua modalidade é comprometido com as questões ambientais?
AM: Acredito que uma grande parcela de atletas tenha alguma preocupação, poucos efetivamente estão envolvidos, mas podemos fazer muito por uma causa tão importante. 

Você tem hábitos de rotina para reduzir os impactos ambientais?
AM: Eu e minha família reduzimos os impactos ambientais em atividades de rotina, como usar  lâmpadas de menor consumo, lavar roupas quando a quantidade faz a necessidade, tomar banhos rápidos etc. Além disso, nos mudamos para um lugar onde 90% de nossos deslocamentos e atividades são a pé. 

Qual é a relação da qualidade da água com a sua performance?
AM: Fundamental. Em vários lugares do mundo, para realização de maratonas aquáticas, é obrigatória a prévia coleta de amostras da água para testes de qualidade, com emissão de laudo. Somente depois dessa aprovação, a prova é liberada.

Durante competição, já teve problema com águas poluídas?
AM: Infelizmente sim. Já vi dejetos humanos boiando, já fui atingida por pedaços de madeira e já nadei em águas aparentemente poluídas. Para melhorar essas condições, participo de diversas reuniões, quando defendo melhores condições ambientais para a prática de maratonas aquáticas. 

Em termos de “sobrevivência” da sua modalidade, a crise hídrica te preocupa?
AM: Não deve atingir a prática desse esporte tão cedo porque temos à disposição incontáveis lugares propícios. Porém, alguns deles infelizmente não poderão receber provas. Não foi da minha época, mas li vários artigos sobre as provas que aconteciam no rio Tietê em SP, e hoje... É uma lástima!

O comprometimento dos recursos naturais (água, ar e terra) já teve algum impacto em seus resultados?
AM: Já senti o impacto da temperatura alta da água e meu rendimento ficou comprometido.  Me lembro que em uma prova que terminei em segundo lugar poderia ter ganho, não fosse esse problema.

Quais são os lugares limpos e preservados que gosta de nadar?
AM: Adoro nadar em Cancun/México, Setúbal/Portugal, Canadá (vários locais), e aqui no Brasil (Inema/BA, Morro de São Paulo/BA, Mangue Seco/BA, Caraguatatuba/SP etc).


01 de outubro de 2015