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Entrevista com Julia Antuerpem , do roteiro "Se Eu Fosse Meu Filho"


Entenda a proposta do roteiro "Se Eu Fosse Meu Filho", com Julia Antuerpem.

Como foi o processo criativo da obra vencedora? me fale um pouco sobre.

O roteiro foi escrito com energia e intenção positivas, acho que esse foi um excelente ponto em prol do resultado final.

Nele eu associei certos valores com certas posturas que a cada dia são mais comuns nas pessoas, posturas estas negligenciadas por muitos mas, ainda assim, perceptíveis a um olhar mais atento. Assim sendo, a inspiração dele foi muito singela, veio da observação,  de perceber como as pessoas reagem quando são observadoras de uma situação e quando são agentes desta situação. Como filhos queremos que nossos pais nos façam bem mas às vezes não transpomos esse valor para nossos próprios filhos, nossos animais e nosso meio ambiente. Achei que aí estava uma belíssima associação que poderia passar uma nova mensagem de auto-percepção e até mesmo induzir uma melhor idiossincrasia.

Depois tornou-se imprescindível uma nova maneira de se passar essa mensagem, colocar uma nova "lente" no assunto, de um jeito mais palpável, mais próximo e mais pessoal para induzir, estimular e motivar muito mais do que culpar e limitar diante desta "situação já tão agravada".
 
Um dos propósitos do Green Nation Fest é estimular a produção de obras voltadas para o tema sustentabilidade. Para você,  de que forma a sua criação pode mobilizar a sociedade a pensar mais sobre o desenvolvimento sustentável?

A mensagem desse roteiro é muito bonita. Evidencia comportamentos e faz importantes associações de forma única. A maneira como foi escrito é essencial e foi somente através desse jeito mais "sutil" que foi possível elevar a mensagem e propor um novo jeito de pensar e agir perante esta questão.

Explica-se:  o intuito deste meu roteiro não foi impor novos valores e idiossincrasias, mas sim o de ser um convite a "prestar atenção".  

Eu, particularmente, prefiro o efeito que surge de um convite e não de uma imposição, onde o espectador assimila a mensagem do seu jeito, de acordo com o seu mapa e, a partir daí, pode ter uma nova postura ou valor através de uma auto-percepção (ou seja, do jeito mais certo para ele). Isso, para mim, é não submestimar o público de hoje que não aprende e se choca somente através do tapa na cara.

Há um choque no roteiro sim, mas ele se dá mais pelo lado do  "espelho" do que pelo lado "tapa na cara" e, assim sendo, motiva mais do que culpa. Acho que o mundo está mais carente de motivações do que culpa.
 
Para você, quais atributos de sua obra contribuiram para a escolha do juri oficial?

Para mim, creio que o ponto mais importante da obra é que o roteiro é muito assertivo porém sutil. Acho que esse é um ponto bem único das minhas obras.
Além dos pontos abordados na questão anterior, acredito que a mensagem deste roteiro é muito profunda e está envolta em grande sensibilidade e simplicidade, o que provavelmente a torna mais pessoal e viva.

Ademais, como dito acima, o intuito não foi impor novos valores, mas sim o de ser um convite a "prestar atenção". Através disso cria-se uma nova oportunidade de percepção, um novo meio de sensibilizar e uma nova "lente" que nos intriga a pensar em questões importantes da nossa vida. Eu, particularmente, estou muito feliz e emocionada com essa nomeação e oportunidade.

Quanto a responsabilidade socioambiental, você já participou ou participa de algum projeto voltado para as causas ambientais? se sim, me fale um pouco sobre eles.

Sempre estive muito ligada às questões socioambientais. Ver certas posturas ainda não serem concretizadas (ou mal concretizadas) muito me entristece, me choca e me fazem questionar a existência da "vida tal como ela é/está", mas, também me motivam.

Em especial sou muito atenta às questões relativas ao abandono ou agressão contra animais. Sempre me comove muito. Participo de doações de cachorros abandonados, já peguei cachorros da rua, trouxe para minha casa, cuidei até achar um lar novo para eles. Estou sempre em contato com uma ONG de cachorros abandonados que se chama "Clube dos Vira Latas". O objetivo deles é lindo, seus esforços são grandes e seus custos são altos. Então, estou participando sempre de seus eventos.

Tento sempre ajudar nessas questões ambientais, quer mais ativamente (como com animais), quer de forma não presencial ou financeira. Mas, em especial, meu foco mesmo é tentar ajudar essas questões do jeito que eu acho que faço melhor, escrevendo.


28 de junho de 2012