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Entrevista com Haroldo Mattos, Coordenador do Programa de pós-graduação em Gestão Ambiental da UFRJ


Na busca de um melhor esclarecimento sobre as oportunidades de trabalho na área de preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável no Brasil, realizamos uma entrevista com Haroldo Mattos de Lemos, presidente do Instituto Brasil PNUMA e coordenador da pós-graduação em Gestão Ambiental da UFRJ. Confira!

Como você enxerga o desenvolvimento sustentável no Brasil? O Brasileiro está mais consciente?

Está mais consciente, mas não o suficiente. Em 1975, eu fui o primeiro presidente do orgão ambiental Feema (atual Inea) e nesta época as empresas fugiam dessas organizações, pois aplicar projetos sustentáveis aumentava o custo de produção e perdia competitividade. As empresas evoluíram bastante, e diferentemente da metodologia antiga, os setores industriais que investem em sustentabilidade são mais lucrativos e competitivos.

Quais são as oportunidades de empregos na área de sustentabilidade? Essa oferta esta crescendo?

O três principais nichos de trabalho são: As entidades governamentais e não-governamentais de meio ambiente - o Inea tem feito concursos recentemente; bancos e indústria - atualmente quase todas as grandes empresas têm uma área de meio ambiente; empresas de consultoria - que fazem avaliação de impacto ambiental e licenciamento.

As empresas estão investindo mais em projetos ecológicos?


Estão, principalmente as de petróleo. Quem não investe tem problemas competitivos. O paradigma empresariam mudou e as corporações começaram a desenvolver energias mais limpas, reciclagem de resíduos, economizar água, entre outras coisas. Além disso, os Bancos  - como BNDES  e Banco do Brasil - exigem que as empresas estejam de acordo com a legislação ambiental para autorizarem empréstimos. Estamos numa crise séria de recursos naturais. A água é cada vez mais escassa no mundo inteiro. A quantidade é pouca para a população que não para de crescer. Em 1802 a população da terra era de um bilhão de pessoas. Hoje estamos com 7 bilhões de pessoas e a quantidade de água é a mesma. Esse recurso é primordial na produção de alimentos, processos industriais e abastecimento da população. São Paulo está com problema sério de onde buscar mais água para a cidade. É preciso que a sociedade comece a economizar nossos recursos naturais  e procure alternativas limpas para substituir.


E quanto a economia do país, esse processo interfere na forma de produção?

Hoje existe uma legislação ambiental que impõe limites de poluição. Antigamente as indústrias se escondiam dos orgãos ambientais pois estar de acordo gerava mais custo e o preço do produto aumentava. Hoje existe uma modificação no processo de uso dos recursos naturais - como água, energia e geração de resíduos - que visam economizar matéria-prima e reaproveitar o que pode. Por isso a possibilidade de serem multadas por acidentes diminuiu.

Qual é o público que mais procura a pós-graduação em gestão ambiental?


É um curso multidisciplinar. Neste curso são aceitas várias formações profissionais. André Trigueiro por exemplo é jornalista e fez! Temos médicos, advogados, economistas, muitos biólogos. É uma boa oportunidade para quem quer ampliar o mercado de trabalho.


As pessoas costumam ter dificuldades para conciliar a área de atuação com a pós?

Depende do tipo de trabalho que o profissional exerce. Umas fazem o curso para ganhar base para empresa, outras porque querem vir para área de meio ambiente e algumas já trabalham com isso. O público geralmente é mais jovem, mas pode variar.

É preciso ser graduado em gestão ambiental para trabalhar com sustentabilidade nas empresas?

Depende da empresa, mas geralmente é preciso ter graduação ou pós na área de meio ambiente.

O que você prevê para os próximos anos sobre o desenvolvimento sustentável?

Tem que aumentar, pois se não levarmos a sério vamos perder muita qualidade de vida. Estamos prevendo para mais 20, 30, 40 anos além. A tendência é melhorar a consciência. Com a Rio+20, o Pnuma tem um relatório chamado Economia Verde (Green Economy). Alí defende-se a necessidade de aplicar recursos financeiros em áreas importantes para o desenvolvimento sustentável como, por exemplo, as energias renováveis. Neste documento sugere-se a aplicação de 2% do produto interno bruto (PIB) em economia verde. Também orientamos os governos para o cancelamento/diminuição de subsídios aplicados em atividades insustentáveis - como a frota pesqueira .


24 de janeiro de 2012