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Entrevista com Eduardo Escariz, diretor do curta 2 da Barra


Já pensou na quantidade de lixo que um evento carnavalesco deixa nas praias, principalmente em cidades como Salvador? Unindo o amor ao surf e a responsabilidade ambiental com os oceanos, o surfista Eduardo Escariz desenvolveu um documentário que retrata a realidade das praias da cidade baiana na época de Carnaval.

O curta 2 da Barra mostra o ponto de vista de dois surfistas sobre a realidade do meio ambiente numa parte da cidade rica, repleta de patrimônios históricos, culturais e ambientais. Confira a entrevista!

Como foi o processo criativo da obra vencedora? Me fale um pouco sobre.
Após uma temporada em São Paulo voltei pra Salvador em setembro de 2011. Sempre dividi minha vida profissional entre trabalhos comerciais e independentes e tinha um sonho de viajar pelas praias da Bahia, filmando e surfando. Comecei colhendo imagens dos campeonatos que rolavam no Estado. Em conversa com Luiz Américo, que deu uma força na pesquisa  e no roteiro, decidimos coletar algumas entrevistas com os locais de cada pico. A primeira escolha foi a praia da Barra, onde encontramos Bernardo Mussi e Ewandro Ballalai. Ewandro sempre estava nos campeonatos e já tinha um arquivo com algumas imagens dele, mas faltava as imagens de cobertura de Mussi. Foi bem perto do carnaval, e Bernardo Mussi tem um projeto de surfistas voluntários chamado Fundo da Folia, que retira resíduos sólidos da praia nesta época. Ou seja, em poucos dias já fazia parte do projeto, através dos mergulhos e das filmagens. Coletamos imagens em quatro mergulhos e começamos a editar o material. Assim surgiu o curta 2 da Barra, o ponto de vista de dois surfistas sobre a realidade do meio ambiente numa parte da cidade rica, com Patrimônios Históricos, Culturais e Ambientais. O vídeo tem 15 minutos mas para o Green Nation fizemos uma versão de 4 minutos.

Um dos propósitos do Green Nation Fest é estimular a produção de obras voltadas para o tema sustentabilidade. Para você,  de que forma a sua criação pode mobilizar a sociedade a pensar mais sobre o desenvolvimento sustentável?
É incrível como nossa ação tem sensibilizado as pessoas. Um prêmio importante como Green Nation coroa este tipo de atitude e mexe com a energia das pessoas envolvidas no projeto. Um reflexo já visível pós Green Nation é a aproximação positiva de mais parceiros, cada vez mais surgem pessoas animadas e que nos trazem também suas idéias. Mas a realidade deste desafio ainda é dura. Nosso filme mostrou grande quantidade de latas acumuladas de baixo d'água no Farol da Barra, um dos cartões postais mais belos do mundo. Este tipo de abordagem já atrái alguns olhares. Com acesso a eventos como Green Nation encontramos um estímulo ao diálogo com outras iniciativas, que geralmente são mutiplicadores e formadores de opinião.  E colocar as atividades na prática e alavancar projetos ambientais é uma ótima forma de melhorarmos.

Sua obra foi uma das escolhidas entre as 764  inscritas. Como é a sensação de ganhar um prêmio escolhido pelo juri popular? Você fez algum tipo de campanha? Que tipo de público você acha que te prestigiou com votos?
Aprender é muito bom, mas ganhar é bom demais. Além disso, é um feedback pra saber como as pessoas estão avaliando nosso trabalho. A estratégia de divulgação foi mandar o link de votação com o vídeo para nosso mailing, privilegiando os simpatizantes deste tipo de causa, via facebook e e-mail. Muitos gostaram e encaminharam para outras pessoas. Bernardo Mussi, surfista que aparece no vídeo com o Projeto Fundo da Folia, já tem o costume de alimentar seu blog e sua vasta rede de contatos com o material que coleta sobre as praias da Barra ao longo desses anos. Acho que a continuidade é o segredo para o sucesso na ação de todos envolvidos.

Quanto a responsabilidade socioambiental, você já participou ou participa de algum projeto voltado para as causas ambientais? se sim, me fale um pouco sobre eles.
Nunca tive nenhum contato com projetos ambientais antes do documentário. Fiquei fascinado pelo mergulho de retirada das latas, uma belíssima ação dos voluntários surfistas da Barra. Quando comecei a filmar os campeonato via que na verdade as condições das praias da Bahia sofrem por igual da falta de cuidado. Mas o destino reservou o encontro com o Projeto Fundo da Folia e hoje sou gestor de comunicação e voluntário do projeto. Cada dia estou mais animado com o que podemos transformar em realizações ambientais daqui pra frente.


03 de julho de 2012