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Cobaia para fins experimentais gera polêmica


Encontrar alternativas eficientes ao uso de cobaias é um caminho ainda complicado, de acordo com cientistas.  Apesar dessa afirmação, muitos ativistas acreditam que tal atitude seja por falta de vontade dos pesquisadores.

Com o intuito de discutir sobre os limites éticos dos animais, utilizados tanto em pesquisas científicas quanto em testes de produtos, a discussão veio à tona  quando o Nobel de Medicina foi concedido aos cientistas Mario Capecchi, Oliver Smithies e Martin J. Evans. Eles foram premiados pela criação de uma técnica que permite simular em camundongos algumas doenças,  que pode identificar o efeito de certos genes sobre a saúde humana.

Não há dados sobre o número de cobaias (camundongos, ratos, coelhos e porquinhos-da-índia) utilizados  para experimento no Brasil. Já nos Estados Unidos, onde a produção científica é mais intensa, de 17 milhões a 23 milhões de animais são utilizados todos os anos, conforme dados do governo norte-americano.

Muitos cientistas são a favor da prática, mas há também o contraponto. É o caso da médica cardiologista Odete Magalhães, professora da Faculdade de Medicina do ABC, na Grande São Paulo. Ela alega que grande parte das pesquisas é realizada para massagear o ego de cientistas, que querem aparecer com novas descobertas. "As pesquisas andam por um caminho próprio, que muitas vezes não está relacionado às necessidades da população. É apenas conhecimento pelo conhecimento", diz a professora. E complementa: "Não é ético matar um ser vivo em benefício de outra população. Não fazemos isso com nossos próprios pares".

Mesmo com a oposição contraditória de Odete, muitos pesquisadores insistem que ainda é necessário esse tipo de teste para o desenvolvimento de métodos de cura para o homem. "É uma técnica importantíssima, pois abre portas para o futuro. Provavelmente haverá um dia em que nós poderemos desligar os genes que causam algumas doenças. Não há dúvida que a descoberta dos vencedores do Nobel gera ganhos", afirma Regina P. Markus, presidente da SBFTE (Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental).

Apesar de Markus concordar com esta técnica, ele ressalta que é extremamente necessário estabelecer regras para esse uso, o que no Brasil ainda não existe oficialmente. Não há uma lei federal específica que regulamente o uso de animais de laboratório.

Veja a matéria na integra no Folha de São Paulo.


10 de julho de 2012