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Brasil e a energia nuclear


Os problemas nucleares que vêm sido enfrentados no Japão geraram discussões em todo mundo sobre a utilização desse tipo de energia. O Brasil não escapou desse debate. Com as usinas de Angra funcionando e planos para ampliação dessa matriz energética no país, resta saber o que faremos e o que devemos fazer para evitar problemas como os que vivem hoje os japoneses.

A princípio, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, garantiu que o governo brasileiro irá apoiar todos os protocolos internacionais sobre a segurança de usinas nucleares que forem estabelecidos a partir do acidente com a usina nuclear de Fukushima. As possíveis mudanças nas regras serão incorporadas não apenas para novas concessões, mas também para as usinas que já estão em funcionamento.

Já o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Odair Dias Gonçalves, disse que o órgão também poderá rever o raio de evacuação das usinas de Angra dos Reis, estabelecidas em cinco quilômetros. No Japão, o raio é de 30 quilômetros. “Vamos rever isso, vamos verificar com muita calma e ver se, em função dessa experiência, podemos modificar ou não”. Gonçalves garantiu ainda que as usinas brasileiras estão totalmente de acordo com normas estabelecidas pela Agência Internacional de Energia Atômica.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o governo não pretende rever os projetos de construção de novas usinas nucleares no país. A intenção do governo é definir ainda este ano as diretrizes para a construção de pelo menos mais quatro novas usinas, sendo duas no Nordeste e mais duas na região Sudeste.

Mas será que existe segurança de fato quando tratamos de energia nuclear?



 

Confira a carta do CNEN à população brasileira:

Atenta aos acontecimentos no Japão envolvendo usinas nucleares e sensível aos anseios que eles podem despertar na população brasileira quanto à segurança das usinas Angra 1 e Angra 2, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) vem a público trazer alguns esclarecimentos:
 
Acidentes relevantes com usinas nucleares são raros. O último deles ocorreu há 25 anos, em Chernobyl.  Atualmente, a tecnologia empregada evoluiu bastante, o que torna ainda mais improvável a repetição de algo semelhante. O acidente no Japão vem apresentando um nível de gravidade muito menor que Chernobyl, mas que ainda exige bastante atenção por parte das autoridades daquele país.
 
As condições extremas causadas pelos abalos sísmicos no Japão não fazem parte da realidade brasileira.  Porém, mesmo aqui, as usinas nucleares estão preparadas para problemas que possam eventualmente ocorrer, mesmo com probabilidade muito baixa. Elas seguem rigorosas normas nacionais e internacionais de segurança que garantem a proteção de trabalhadores, da população local e do meio ambiente. Qualquer possível evolução nas condições de segurança resultante da experiência japonesa, caso se mostre necessário, será adequadamente incorporada à realidade nacional após as conclusões técnicas que forem tiradas.

 




Mercadante lembrou também que no Brasil não há terremotos nem tsunamis, mas existem desastres naturais como inundações por chuvas e desmoronamentos. Mas, de acordo com o ministro, as usinas brasileiras estão protegidas em relação a isso, pois estão em lugares altos e distantes de locais que possam desmoronar.

Ainda assim a ideia de segurança não é compartilhada por todos, muitos discordam dos planos de ampliação das usinas nucleares no Brasil.






O importante é que exista o debate. O conhecimento é a melhor ferramenta para enfrentar decisões e escolhas tão importantes para o futuro do país.


01 de abril de 2011